OSB-SP apresenta segunda parte do estudo sobre o Núcleo de Convivência do Idoso na Câmara Municipal

300 mil idosos estão à espera de atendimento. Encontro contou com a participação da população, especialistas, usuários, gestores e profissionais de NCIs, além de representantes do poder público e do Grande Conselho Municipal do Idoso

Palestra da professora Marília Berzins, doutora em Saúde Pública pela USP,
durante Seminário – NCI

Nesta terça-feira (19/03), o Observatório Social do Brasil – São Paulo (OSB-SP) apresentou a segunda parte do estudo realizado pelo projeto Avaliação de Política Pública: NCI a mais de 160 pessoas no auditório Prestes Maia da Câmara Municipal de São Paulo (CMSP), na Bela Vista, Centro da capital. Dentre as informações, divulgadas como parte do “Seminário – NCI”, estiveram dados do levantamento feito com mais de 60 representantes, administradores e profissionais de Núcleos de Convivência do Idoso (NCI) no dia 21 de fevereiro, quando, na sede do OSB-SP na FECAP, foram produzidos relatórios divididos em quatro eixos com os principais desafios e dificuldades vividos na implementação dessas políticas.

De acordo com o coordenador do projeto, Rubens Casado, o objetivo do grupo de estudo e monitoramento é levar subsídios para que o município possa melhorar a política pública em prática através dos NCIs. “Os Núcleos de Convivência do Idoso servem para contribuir com o envelhecimento saudável, desenvolvimento de autonomia e sociabilidade, prevenção de vulnerabilidade e risco social da população idosa. Mas isso precisa chegar a todos os bairros da capital. Em praticamente metade os idosos não têm acesso a esses espaços, o que mostra a desigualdade”, explicou. Segundo a apuração do OSB-SP, apenas 50 dos 96 distritos da capital contam com uma ou mais unidades do NCI.

Dos cerca de 12 milhões de habitantes de São Paulo, quase 1,8 milhões são idosos, o equivalente a mais de 15% da população. Hoje, existem cerca de 13 mil vagas para pessoas de 60 anos ou mais nos 92 NCIs do município. 300 mil idosos estão à espera de atendimento. Para Sandra Gomes, coordenadora de Políticas para Pessoa Idosa da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC), levantar o perfil, quais são as características e as demandas da população ajudam todos os gestores a implantarem serviços. “É importante que possamos sair daqui com esses dados bem claros para que possamos usá-los. É um número insuficiente de NCIs, mas a perspectiva é que aumente. Esses espaços são extremamente necessários para garantir que o envelhecimento não seja um fardo, para que o idoso não fique deprimido por conta do isolamento social”, ressaltou Sandra.

A vice-presidente do OSB-SP, Gioia Tumbiolo, responsável por apresentar a parte qualitativa do estudo, destacou que a maioria das demandas levantadas com os profissionais dos NCIs envolviam financiamento, como o pedido de mais funcionários, o aumento no valor para as oficinas oferecidas e uma verba especifica para passeios. Ela alerta, porém, que o orçamento do município é aprovado pela Câmara e é necessário respeitá-lo até uma nova discussão em Plenário, no ano seguinte. “A Prefeitura assinou agora um decreto que haverá uma repactuação nos convênios com coleta de lixo, saúde e assistência. Muito provavelmente tem uma justificativa. Mas a gente sabe? Precisamos entender o que está acontecendo para poder debater com a Prefeitura”, afirmou.

Uma das palestrantes do evento foi Marília Berzins, doutora em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP), que também ressaltou a importância da CMSP. “Esta é uma Casa que dialoga com a população e trata do orçamento do município. Essa é a democracia participativa. Nós podemos colaborar para o avanço dessa política pública. A população avaliou, gerou estes resultados e está conversando com o governo. E mais, nós não podemos perder direitos adquiridos.  Temos que defender políticas públicas como uma política de Estado e não como política de governo”. Marília enfatizou que o poder público não pode se acomodar com o aumento do número de idosos. “Envelhecimento não é um problema social, é uma conquista. Isso se torna um problema se o Estado, a sociedade e as famílias não se prepararem antes”, concluiu.

Confira a matéria da TV Câmara sobre o “Seminário – NCI”:

Participaram do “Seminário – NCI”, ainda, a presidente do Grande Conselho Municipal do Idoso, Marli Feitosa; a presidente do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, Vera Helena Lessa Vilela; a coordenadora de Proteção Social Básica da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), Sylmara Ramires; Rubens Bossi, representando a secretária Especial de Relações Sociais da Prefeitura, Fátima Marques; e a líder do Centro de Referência do Idoso da Zona Norte, Lissa Lansky Ribeiro.

*Por: David Nascimento